José Carlos de Souza Junior

Por: José Carlos de Souza Junior

A importância da mentalidade Nexilista na inovação

29/04/2024

A evolução constante e a complexidade dos desafios contemporâneos exigem abordagens inovadoras que transcendam os limites tradicionais de pensamento e atuação. Neste cenário, a mentalidade Nexilista emerge como um farol, guiando-nos por um caminho onde a interdisciplinaridade e a colaboração se tornam peças-chave para solucionar problemas complexos. Este conceito, enraizado na capacidade de formar conexões valiosas entre diferentes campos de conhecimento, desafia a segmentação e a normatização herdadas da revolução industrial, que há muito moldam nossos sistemas educacionais e profissionais.

Historicamente, o processo educacional foi segmentado em cursos, disciplinas e níveis de formação, isolando áreas de conhecimento e dividindo o indivíduo (cuja etimologia vem do indivisível): o profissional, o cidadão e a pessoa. Como se possível fosse, dentro da complexidade do mundo contemporâneo, tratar de forma isoladas essas partes. A dicotomia entre teoria e prática, vida acadêmica e profissional, generalista e especialista, apesar de ter trazido eficiência em contextos anteriores, mostra-se insuficiente diante dos desafios atuais, marcados por sua complexidade intrínseca. Problemas complicados, que demandam conhecimentos específicos e soluções direcionadas, contrastam com os problemas complexos, cuja superação requer uma abordagem holística e colaborativa.

Neste contexto, o pensamento nexialista se apresenta como uma habilidade crítica, enfatizando a importância de estabelecer ligações entre saberes distintos para conceber soluções inovadoras. A educação, portanto, deve evoluir para promover essa mentalidade, capacitando indivíduos não apenas como especialistas ou generalistas, mas como pensadores nexialistas que compreendem o valor das conexões entre diversas áreas do conhecimento.

A aplicação da mentalidade nexialista estende-se além da educação, infiltrando-se na maneira como abordamos a inovação e o empreendedorismo. No livro ""The Voyage of the Space Beagle"" (1950), de Alfred Elton van Vogt, o termo nexialista foi cunhado. A figura do protagonista, Dr. Elliott Grosvenor, ilustra o poder do nexialismo ao reunir competências generalistas e especialistas para superar desafios complexos. Esta narrativa simboliza a transição necessária em nossas instituições e na sociedade como um todo: de silos isolados de conhecimento para redes dinâmicas de colaboração inter e transdisciplinares.

Adotar uma mentalidade nexialista significa reconhecer a interconexão e a interdependência entre diferentes campos do saber e aplicar esta visão na resolução de problemas. Ao fazê-lo, não apenas ampliamos nossas próprias capacidades e perspectivas, mas também criamos um terreno fértil para inovações que podem transformar positivamente nossa sociedade.

A importância da mentalidade nexialista na inovação não pode ser subestimada. Ela nos capacita a enfrentar a complexidade do mundo atual com uma abordagem mais integrada e sistêmica, promovendo soluções que são simultaneamente criativas, eficazes e sustentáveis. À medida que avançamos, cultivar essa mentalidade em indivíduos e organizações será fundamental para desbloquear o potencial inovador que enfrenta os desafios do nosso tempo.

Técnico Eletrônico pela ETE Lauro Gomes (1986), possui Graduação em Engenharia Eletrônica pela Escola de Engenharia Mauá – IMT (1992), Mestre em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da USP – Capital (1998) e Doutor em Engenharia Elétrica – Subsistemas Eletrônicos – pela Escola Politécnica da USP – Capital (2004). Atualmente é professor Titular do Instituto Mauá de Tecnologia - IMT, tendo iniciado sua carreira em 1993 e desde 2012 atuando como Reitor do Centro Universitário do IMT. Na área acadêmica atua fortemente no sentido de promover uma educação multifacetada, em especial com o inter-relacionamento e colaboração das diversas áreas de conhecimento (Tripé da Inovação). Entende que a Transformação Digital, especialmente na educação, tem por base o atendimento às demandas analógicas do ser humano (cerne do processo educacional) e da sociedade. O atual ferramental digital permite uma formação “analógica” como opção à dicotomia Especialista / Generalista. Defende o desenvolvimento da visão Nexialista (competência para se estabelecer conexões de valor) como diferencial do profissional, cidadão e indivíduo. Atuou como professor universitário no Centro Universitário da Fundação Inaciana de Ensino – FEI e na Universidade São Judas Tadeu. Fundou a Mosaico Engenharia Eletrônica Ltda., na qual atuou até 2009. Em 2010 fundou a VERSOR Inovação Tecnológica, onde permaneceu como Sócio Diretor até 2018. Em 2012 fundou a MOTOM Moto Peças Ltda., sendo um dos Sócios Proprietários até 2020. Possui atualmente participação em empreendimentos relacionados com aplicações de Internet das Coisas (IoT) e Agronegócios. Membro honorário do Rotary Clube de Santo André (RCSA) e membro da diretoria (1º. Secretário) da entidade beneficente ABC Aprendiz (antigo Patrulheiros Mirins de Sto. André) Membro orientador do Núcleo Acadêmico do G-100 deste 2016. Membro fundador do Observatório Social de São Caetano do Sul (OSSCS). Membro Conselheiro do CMI (Conselho Municipal de Inovação) e COMDEC (Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico) da Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul. Vice-presidente do Conselho Regional do EcoSis SP ABC do Movimento Brasil Digital. Membro do IEEE – Institute of Electrical and Electronic Engineers desde 1996. Vice-presidente de Tecnologia e Inovação (Diretoria Executiva) do IVEPESP – Instituto para a Valorização da Educação e da Pesquisa no Estado de São Paulo. Sócio Fundador (voluntário) do InovaNex, espaço de inovação situado na Cidade de São Caetano do Sul, onde preside o Conselho Técnico Científico. Associado Pleno do IE (Instituto de Engenharia).
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